Série Monte Roraima – A Trilha

Antes de iniciar o projeto, a única certeza que eu tinha era que subiria o Monte Roraima, um sonho que alimento há dez anos. Nesta pequena série de três artigos vou mostrar algumas dificuldades e prazeres desta fantástica expedição.

A maior parte do Monte Roraima fica na Venezuela, o Brasil possui um pedacinho e a Guiana outro teco. A subida é feita pela Venezuela, portanto visitei o Planeta de Hugo Chávez para chegar ao Monte. A loucura já começa com um fuso horário de +30m, isso mesmo, mais 30 minutos rs.

Entramos na cidade fronteira chamada Santa Elena de Uairen, lá trocamos a van por um 4×4 que nos levou até a aldeia de Paraitepuy. De lá andamos 15km de sobe e desce relativamente leve embaixo de muita chuva, mesmo assim a Savana se mostrou extremamente bela. Dormimos no acampamento Tek.


Chuva e o visual dos Montes Kukenan e Roraima encobertos pelas nuvens.


Parada para abastecer o cantil. Bota pendurada para secar no Acampamento Tek.

No dia seguinte andamos menos, 8km de boas subidas. Infelizmente também pegamos chuva. Ficamos no Acampamento Base que possui esse nome por estar ao lado do Monte. Impossível não arregalar os olhos com o tamanho do paredão que o Monte Roraima tem.


Uma subida bem leeeve nos espera no segundo dia de trilha ;) Carregador atravessa o Rio Kukenan.


Eu após cruzar o Rio Kukenan, a caminho do Acampamento Base.


Nevoeiro na Savana, um segundo dia com boas subidas. O Paredão do Monte Roraima visto do Acampamento Base.


A pequena subida de 4,5km ao topo do Monte Roraima. Oi?

No terceiro dia a brincadeira começou cedo, andamos só 4.5km. Só?! Logo de cara senti os músculos das pernas darem suspiros. Além da chuva atrapalhar, a subida é intensa e impossível de ser feita sem diversas paradas. O clima de selva é umido e um novoeiro se torna companheiro de viagem, ele impede que o Monte e a Savana sejam vistos, mas aos poucos você percebe que essa névoa é caracteristica, sem ela a surpresa não existiria, um clima místico nos cerca durante toda subida.

Uma das sensações mais fantásticas que já senti na vida foi caminhar por baixo do Passo das Lágrimas, uma cachoeira que fica um pouco antes do portal de entrada/saída do Monte. Acho que “sublime” é uma boa palavra para definir o lugar.


Subida leve… bem leve. Passo das Lágrimas. Pedra com o rosto de Makunaíma, Deus dos índios Pemons (na esq.) com o Passo das Lágrimas ao fundo.

Chegamos completamente exautos ao topo, mas apesar disso senti uma nova carga de energia, é tudo muito diferente, um floresta de pedras arredondadas e uma vegetação rasteira linda. O nevoeiro ainda está presente mas é possível perceber que entramos em outro mundo. A sensação de conquista e realização pessoal é animal :)


Nosso Hotel em cima do Monte, meu apartamente é o verde. Eu na cozinha do Chef Cecílio.

Apesar do Monte Roraima ser um platô, qualquer caminhada em cima dele significa que você irá subir e descer de muitas pedras, raros são os lugares de caminhada em terreno plano.


Nevoeiro em uma das caminhadas matinais em cima do Monte.

Como o assunto aqui é “trilha”, um caso interessante aconteceu na subida ao ponto mais alto do Monte, a Pedra Maverick.
De manhã choveu muito, mas a tarde abriu o tempo e resolvemos ir até a pedra. Tudo seguia tranquilamente até encontrarmos a lama engolidora de papetes hah. A trilha de subida era bem demarcada, mas como havia chovido muito, alguns pontos de apoio sumiram, nisso botas ficaram com lama até na alma, e eu por pouco não perco a papete, minha perna afundou quase até o joelho hah.


O ataque da lama engolidora de papetes. O Monte se despede. As Polares na volta ao Acampamento Tek.

Ficamos três noites no topo do Monte, e só depois da terceira que pensei… tudo que sobe, tem que descer. E a descida sim fez a perna justificar sua existência, o negócio não é para os fracos. A descida é mais rápida, mas se você não tomar cuidado a coisa pode ficar feia e te perseguir pelo resto da vida.

Logo após a descida almoçamos na Base e seguimos direto para o Acampamento Tek, totalizando 12,5km… estávamos cansados até que nos lembramos da cerveja venezuelana Polar que nos esperava lá… dormi como uma criança essa noite rs


Senhora que organizava a demanda pelas Polares.


Confraternização, alguns voltando pra casa e outros indo para o Monte.

Acordei com a claridade do sol e foi possível perceber a existência de músculos que nem a academia havia me mostrado. O trajeto final que seria relativamente tranquilo se transformou em algo um pouco mais complicado, mas nem liguei, o prazer de ter ido ao topo do Roraima e voltado é anestésico. A última lembrança que tenho do Monte é dele sumindo novamente nas nuvens como se fechasse as cortinas de um grande espetáculo ;)

16 comentários em “Série Monte Roraima – A Trilha

  1. A D O R E I ! ! ! QUE LUGAR MARAVILHOSO!! Eu não teria aguentado nem o primeiro km. Bjs. Estou adorando o seu trabalho..belo início.

  2. Adorei ver, adorei viver e relembrar com suas imagens. Há uma lugar perto chamado Aracá – possui a maior cachoeira em altitude do país e desagua em outro velho conhecido o Rio Aracá. Proveita muito, curta cada passo estamos te acompanhando por aqui. Abração

  3. Semana que vem (Carnaval) é a minha vez.
    Trocamos figurinhas na volta da sua mega expedição
    Boa Viagem
    asannini

  4. Grande amigo, estive em Roraima, na casa de um irmão chamado John Pablo Souto Silva, em 1998, foi maravilhosa a experiência, e apesar da pouca idade na época (13 pra 14 anos)…conheci um pouco da cultura e do brasil que não passa na Novela. boa viagem pra vc!
    abs

  5. Querido Henrique! Como seu colega de expedição pude, através de seu trabalho, reviver…, inclusive, o “engolidor de papete”, do qual também fui vítima. Roraima trata-se de uma visita a um templo perdido no tempo! (dois bilhões da anos, apenas…). Ótimo trabalho, vá em frente companheiro!

  6. Assim como o Carlos, como sua companheira de expedição, eu posso, com certeza, afirmar “aquela descida VAI me perseguir para sempre…hehehe”. Adorei seu trabalho. Tenho algumas fotos suas, vou enviar amanhã. Aqui tb está uma tremenda correria. Boa sorte e bom trabalho por aí!!!Bjs

  7. Bom, passando pra dar aquela olhada, agradeço muito a sua companhia nessa viagem, aliais todo o grupo ou melhor time. Bons momentos em uma montanha tao magica!

  8. Parabéns, Henrique, pelo seu projeto. Você está executando tudo aquilo que nós sonhamos mas que não temos coragem de por em prática.
    Resista, o quanto puder, ao “Sistema”. E continue nos brindando com suas fotos, com sua companhia e com sua alegria.
    Abs.

  9. Sou uma habitante de Boa Vista- Roraima, e sei que o Monte é um de nossos patrimônios no estado, isso é um pedaço, Roraima (estado) tem mais, te pedra pintada, te Tepequém, tem ecoturismo, tem gente calorosa. somos maravilhados em ter essa riqueza e poder compartilhar isso com voces. Belo trabalho.

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