Desde domingo o assunto Kevin Carter apareceu em alguns blogs [aqui e aqui], o que levou todos a uma antiga discussão sobre ética; a mesma discussão que talvez tenha sobrecarregado a cabeça de Kevin Carter, se tornando um dos possíveis caminhos que o levou ao suicídio.
Assim como disse o Versiani, não concordo que “a foto tenha matado” Kevin Carter, de acordo como que li no livro Clube do Bangue Bangue, as críticas negativas que ele recebeu pela foto foram só um dos fatores que o levou ao suicídio, pois na verdade a cabeça do Kevin era complicada. Antes de trabalhar como fotógrafo ele já havia tentado se suicidar, e como válvula de escape começou a fotografar os conflitos na África do Sul; ele escapou de uma coisa ruim e caiu em outra que o testaria todos os dias. Kevin era uma pessoa de altos e baixos, e depois que o fotógrafo Ken Oosterbroek, seu amigo íntimo foi baleado e morreu, as coisas pioraram, pois ele se envolveu com drogas pesadas, entrou em depressão, começou a perder trabalhos e por fim de suicidou.
As críticas que Carter recebia (e ainda recebe) o bombardeavam (bombardeiam) todos os dias, mas acho errado julgar a pessoa sem saber o que se passa na cabeça dela, ver só um lado da moeda e sentar o sarrafo. Sua foto é um marco, uma herança de como era (ou ainda é) a África. Ele diz que a criança depois de um tempo se levantou e continuou sua caminhada até o abrigo, talvez ele devesse ter ajudado a criança nessa caminhada, mas depois de passar anos fotografando conflitos e desgraças, como será que ficou a sua cabeça? É algo muito particular, e quem sou eu para crucificar o cara, desejo é que ele esteja em paz.

Kevin Carter