É engraçado como as vezes nos deixamos levar pela vida, pelas conquistas, pela rotina, e nos esquecemos da essência.
Eu comecei a fotografar por gostar das pessoas, sempre vi a câmera fotográfica como um elo perfeito entre o ser humano e seu trabalho, sou muito curioso em conhecer gente nova e aquilo que elas fazem (sejam elas quem for), e isso sempre me motivou.
Esse sempre foi o carvão que fez a Maria Fumaça andar… mas em um determinado momento deixei de fazer isso pelo prazer e transformei o que eu tinha tesão em obrigação. Segue aqui a minha única dica pra você que está lendo esse texto: NUNCA transforme aquilo que você ama fazer em uma obrigação, NUNCA! Seja lá a profissão que vc decidiu trilhar.
Recentemente um tsunami passou por aqui e me fez abrir os olhos para o que tinha acontecido. Apesar de trabalhar fotografando pessoas todos os dias, nunca me senti tão longe daquela fotografia que eu sempre amei. Podem me chamar de ingênuo, mas guardo todo aquele romantismo ainda dentro de mim, e na boa, prefiro continuar um ingênuo do que detonar tudo aquilo que acredito.
Todo esse desabafo é para contar uma pequena história que vivi e senti hoje, algo pequeno mas que faz toda a diferença na construção do caráter do ser humano.
Hoje optei em pular o almoço e caminhar por conta própria pela Av. Paulista com minha câmera e uma lente. Coloquei meu fone de ouvido no último volume e me deixei conectar com tudo que estava na minha volta, é uma sensação foda você fotografar não tendo que agradar ninguém, é você e seu instinto. Experimente!
Quando eu estava no MASP vi um “hippie” vendendo petecas, foi o único momento que me permiti abaixar meu fone de ouvido, pois parecia que ele estava esperando alguém pra conversar… me aproximei e me apresentei, nisso conheci o Piauí.

O cara é um figura e todo mundo já deve ter passado por ele sem reparar, o Piauí disse que trabalha no vão do MASP há mais de 10 anos. Ele me contou seus projetos, explicou seu trabalho, comentou que não utiliza drogas, e que por usar dreadlocks no cabelo, muitas crianças de rua brincam o chamando de Bob (Marley) e perguntam se ele não possui um baseado, é nessa hora que ele conversa e tenta sensibilizar mostrando que esse não é o caminho.
Enquanto conversávamos também tive o prazer de conhecer a Maria Gorete, terapeuta ocupacional de Natal-RN, que está em São Paulo em um congresso e resolveu passear na Paulista, ela amou as petecas, jogou com o Piauí e nos explicou que a peteca é um brinquedo mágico para as crianças que ela trabalha, é um estímulo fantástico e sempre arranca um sorriso de quem está do outro lado.
“Nunca perca o seu sorriso! Se você quer dormir no chão durma, mas nunca deixe de SORRIR. Se eu morrer amanhã, vou morrer sem sorrir? não! por isso vou SORRIR…” Piauí

Me deixei ficar alí por quase uma hora, doei algumas palavras e o que eu recebi em troca realmente não tem preço, isso meus queridos, se chama deixar viver, isso pra mim é dose dupla de carvão que a Maria Fumaça estava precisando.

Fotos Henrique Manreza/28mm