Arquivado em Agosto, 2011

Bangue Bangue na Telona

Por Henrique Manreza - 24 de Agosto de 2011- Comentar

Leitura obrigatória para quem trabalha com fotojornalismo (e amantes da fotografia), o livro O Clube do Bangue Bangue foi parar nas telas de cinema. Ele conta a história real dos quatro fotojornalistas -- João Silva, Greg Marinovich, Ken Oosterbroek e Kevin Carter -- durante o Apartheid na África do Sul.

Em 2006 o curta-documentário The Life of Kevin Carter: Casualty of the Bang Bang Club foi indicado ao Oscar, e isso levou a DreamWorks e a Parkes/MacDonald a produzirem o longa. Infelizmente ainda não se tem previsão de estréia aqui no Brasil (estreou em abril nos Estados Unidos).

O Clube já esteve aqui no 28mm em duas ocasiões: A Herança de Kevin Carter e Clube do Bangue Bangue.

Veja o trailer do filme:

Aproveitando a deixa, não posso deixar de falar sobre o que recentemente aconteceu com o João Silva, um dos quatro fotojornalistas.

Durante uma matéria para o NY Times em 2010, ele pisou em uma mina perdeu as duas pernas, desde então o jornal publica notas a respeito de sua melhora. Ele agora utiliza duas próteses, teve que reaprender a andar e já publicou sua primeira matéria após o acidente. Uma lição de perseverança e amor a profissão.

Foi feito um site onde é possível ajudá-lo com doações ou comprando algumas de suas fotos impressas.

Se você curte longas entrevistas, o NY Times publicou em maio uma bem bacana com o João Silva e o Greg Marinovich.


Greg Marinovich visita João Silva. Foto: David Furst/The New York Times


João Silva/The New York Times

Foto Escambo

Por Henrique Manreza - 19 de Agosto de 2011- 3 Comentários

Em pleno Dia Mundial da Fotografia escolhi a dedo um projeto para falar: O Foto Escambo.

Criado e organizado pelo fotógrafo Hans Georg, o Foto Escambo estimula o melhor da fotografia: A impressão do material que você fotografa e esquece no computador, a interação com outros fotógrafos e o hobby de colecionar fotografias.

A idéia basicamente é a troca de fotos entre fotógrafos (tem muita gente boa envolvida), o Hans explica:

“Cada participante pode trocar até cinco fotos, preferencialmente imagens variadas, copiadas no tamanho mínimo de 20x30cm em processo de longa duração. Depois é só chegar ao local do evento, receber uma etiqueta numerada que deverá ser colada no verso do trabalho inscrito, escolher uma imagem em exposição e  trocar pela sua!”

Se você estiver em São Paulo, não deixe de participar do próximo escambo que acontecerá neste sábado e domingo (20 e 21 de agosto) no MIS (Museu da Imagem e do Som). Veja aqui mais informações.


Henrique Manreza/28mm

UPDATE 21/08/2011:

Ontem fui ao MIS fazer meu primeiro escambo e de quebra fiz um retrato do Hans ;)


Henrique Manreza/28mm

UPDATE 22/08/2011:

O pessoal da MixTV fez uma matéria sobre o Foto Escambo lá no MIS, para quem não viu na TV, assista a gravação tosca (bem tosca hah) que eu fiz do programa:

Humanos: Produto Exportação

Por Henrique Manreza - 17 de Agosto de 2011- 2 Comentários

Ontem assisti um bom pedaço do programa A Liga da Band que discutiu o tema trabalho escravo e mostrou diversos absurdos. Um dos assuntos foi a mão de obra boliviana no mercado têxtil brasileiro. Foi este o gancho que me fez pensar em escrever este post.

Fui recentemente fazer uma matéria na Praça Kantuta, reduto boliviano aqui em São Paulo, lá todo domingo é organizado algo parecido com uma feira livre típica.

Meu foco principal era localizar e fotografar um “olheiro” anunciando vagas de emprego do mercado têxtil aos bolivianos da região. Consegui fazer a foto, mas ainda com o alvo no foco fui informado que dois seguranças estavam me encarando e que começaram a se comunicar via rádio que nem doidos. Hora de partir.

Como é possível ver na foto abaixo, eles utilizam cartazes descrevendo as vantagens do trabalho e até uma TV de LCD presa a um poste na rua. Nela é mostrado imagens bacanas da fábrica como se estivessem anunciando um novo empreendimento imobiliário.

A parte bacana da história é que a Praça Kantuta é um pedacinho da Bolívia aqui no Brasil. Antes de fazer a foto acima, fui muito bem recepcionado, tomei um suco estranho, comi uma salteña tão apimentada que colocou a Tabasco na categoria peso pena, comprei chá de coca e se eu tivesse cabelo até teria dado um tapa na juba ;)


Fotos Henrique Manreza/Brasil Econômico

PRACA KANTUTA

PhotoImageBrazil 2011

Por Henrique Manreza - 16 de Agosto de 2011- Comentar

Só para não passar batido, começou hoje (16/08) a PhotoImageBrazil. A feira vai até quinta-feira (18/08) e agora está no Expo Center Norte (veja aqui como chegar e mais informações sobre o credenciamento).

Foto Grafia #06

Por Henrique Manreza - 16 de Agosto de 2011- Comentar

Está no ar a revista digital Foto Grafia #06, leia online ou faça o download em pdf na faixa.

Destaques da edição: Simonetta Persichetti, jornalista e crítica de fotografia, colabora com a seção Opinião escrevendo sobre as problemáticas da fotografia contemporânea. Adriano Gambarini, fotógrafo da National Geographic Brasil, analisa o portfólio de Lucas Amorelli, fotógrafo que há cinco anos dedica-se em registrar as paisagens que encontra em seu caminho. Conheça o trabalho de Julio Santos, o Mestre da Fotopintura brasileira, a história desta arte centenária quase esquecida pelo tempo e sua nova versão, a Fotopintura Contemporânea [...]

Invisíveis

Por Henrique Manreza - 15 de Agosto de 2011- 1 Comentário

A fotografia digital não só veio para ficar, como também para mudar alguns paradigmas. Nessa onda de câmeras fotográficas que filmam, muitos fotógrafos se arriscam em um novo mercado utilizando a mesma veia criativa da fotografia.

Como exemplo cito os fotojornalistas Marcela Beltrão e Murillo Constantino que trabalham comigo aqui no jornal. Eles acabaram de produzir o documentário “Invisíveis” que mostra um pouco da realidade dos moradores de rua. Coisa fina :)

A Pedra da Morte

Por Henrique Manreza - 14 de Agosto de 2011- 4 Comentários

O 28mm já publicou em outras oportunidades informações e matérias sobre o crack, droga altamente viciante que consegue destruir a vida de uma pessoa em muito pouco tempo. Isso levou o fotojornalista Victor Moriyama a procurar o blog e mostrar suas impressões sobre esse sério problema social.

O Crack se instalou nas principais cidades do planeta, tornando-se uma espécie de epidemia socialmente incontrolável e com consequências destruidoras para os usuários. Tive a oportunidade de registrar alguns usuários nas regiões centrais das cidades de  São Paulo e São José dos Campos (SP) e notar traços de uma permanente inquietação. Alguns personagens após o uso mostravam um comportamento transtornado, e as alucinações eram constantes. Muitos me relataram seu desejo em sair do vício, qualificado como incontrolável, mas esbarravam na falta de amparo do Estado em oferecer clínicas de tratamento. Suas histórias de vida relatavam o verdadeiro drama de quem vive na rua, e se desligaram do convívio social com família e amigos.  Especialistas indicam que o ápice do efeito da droga se da nos 3 primeiros minutos e pode se prolongar, de forma reduzida, até 10 minutos. Trata-se de um efeito rápido, de curta duração o que leva os usuários a querem estar novamente sob efeito da droga. Estima-se que um viciado pode chegar a morte em 7 anos ao usar a droga todos os dias.

O Crack é fabricado a partir da mistura de bicarbonato de sódio com uma pasta de cocaína. A palavra crack vem do inglês “to crack” associado ao barulho que as pedras fazem quando queimadas. O Crack é fumado em cachimbos improvisados ou em latas de alumínio e conta com o auxílio das cinzas de cigarro colocadas em baixo da pedra durante o consumo. Nas bocas de fumo o valor da pedra de crack é padronizado e custa em média 5 reais.


Texto e fotos: Victor Moriyama